O garoto descartável.

 
  Ele era como aquele "garoto de filme", tinha olhos tão lindos, o sorriso era encantador e todas as meninas queriam morrer por ele, ah, ele gostava disso, tenho certeza que sim. Todas pareciam se jogar aos pés deles, enchiam de elogios e ele adorava a atenção. Até ela caiu nessa, era tão culta, tinha tantos preceitos, tinha suas responsabilidades, suas opiniões e não gostava de ser opor a qualquer um, mas caiu na do garoto descartável.
     Ela o viu algumas vezes, ficou enfeitiçada, era tão lindo e por um minuto ele pareceu perfeito para todos os seus contos não realizado, mas então ela começo a descobrir coisas sobre ele, era tão superficial, vivia no mundo descartável, onde as pessoas não se respeitavam e no outro dia nada mais valia, então ela tentou ver o lado bom... As pessoas sempre têm, certo? Certo!
     Porém, ela pensava às vezes... Como saber se aquele era o garoto? Não sabia, nem ao menos tinha um sinal por mais que pedisse, procurava não pensar muito, pois aquilo era tão errado, seus amigos eram tão idiotas, mas não era por isso que ela queria se afastar dele, não era por isso que ela não queria se apaixonar por ele, ela também tinha amigos idiotas, mas do que ela até, ela adorava a loucura, mas não sabia lhe dar com a superficialidade.
     Levou tanto tempo para que uma palavra saísse da boca dela para ele, quando saiu... de primeiro momento foi incrível, ela sorriu e parecia que tinha estrado naquela historia só dela que estava a esperando por séculos, que um livro finalmente tinha sido aberto, mas não era, então devagar, ela viu aquele mesmo livro se fechar, quis ficar triste, mas não sabia se valia a pena, então o que fazer? Não sabia não era engraçado? Ela não sabia de quase nada, mas queria saber de tudo.
     Ela tentou mudar ela mesma, nossa! Que erro hein moça? Nada haver, mudar para agradar as pessoas é mais errado que tentar mudar os outros para agradar a você, é você mesmo? E depois de um mês, um ano, dez anos? Ainda continua fingindo? Não é legal, mas não é proibido, acho que essa é a parte engraçada de se apaixonar, você começa a mudar por alguém até ver que não precisava mudar por ninguém e depois você reconhece que agiu como idiota, mas era tão incrível.
      Ah, aquela garota, sim... Aquela mesma tentou de novo, de novo e de novo com o mesmo garoto até que ela viu que ele não mudaria, sua aparência era apenas uma maquiagem de um oco profundo, de um vazio tão escuro, de coisas que ela não achavam nada. Sabia ela que o mundo de hoje dava tanto valor a toda aparência e seria tão legal exibir aquele prêmio de beleza para todos, toda a família iria gostar, amar aquele garoto. Mas, aquilo era o que te fazia feliz? Não, não mesmo.
        Saber que existia um garoto como os dos seus sonhos, foi bem reconfortante, mas saber que ele era tudo que você mais odiava em alguém, nossa,,, Isso foi cortante, então essa garota deixou essas bobagens para lá, não contos de fadas, não príncipes encantados e finais felizes, ela sabia que existia tudo isso, ou então por qual sentido o mundo ainda girava? E aquele garoto descartável ia continuar namorando pessoas descartáveis, pessoas que no outro dia não eram nada mais, ela era profunda e transbordava e ele era vazio, cheio de buracos que não suportaria todo aquele amor, todo aquele sentimento, ela percebeu que não era descartável e que não era garota de menino oco, de menino vazio e de menino que não sabe o que quer.
        O que aconteceu no fim? A gente não sabe, a gente nunca sabe, porque boas histórias continuam e finais feliz vem e vão, os príncipes nem sempre serão aqueles que você espera, mas o primeiro passo sempre é dado, olhar para alguém, quebrar a cara, tudo isso faz parte de histórias lindas, de roteiros de séries e não vale a pena desperdiçar isso tudo com pessoas que não sabem ser nem figurantes, superficiais e que nem ao menos se interessa por um bom roteiro.
      Dizem que os opostos sem atraem, certo? Talvez, gosto musical, estilo e tal até pode atrair pessoas completamente opostas, mas pessoas completamente inteiras não precisam disso, não regam flores de plásticos, não cultivam borboletas artificiais, as coisas que acontecem com elas são inteiramente reais e profundas e não há tempo para tentar ensinar a alguém que está preocupado com algo externo no ser-humano, pessoas entre aspas não merecem pessoas com ponto-final.

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