O meu manual de vida


     Eu tenho um manual de vida. Tenho 17, então, provavelmente, ele não está nem na metade, talvez eu ainda esteja escrevendo o prólogo, mas já acumulei certas experiências durante esse tempo. Alguns coisas, uns passam a vida inteira tentando entender, outros descobrem assim, logo de cara, porém o que fazer com tanta informação é um mistério.
       Até aqui eu aprendi que nem sempre estou certa. Já errei muito e errei feio e o mais duro sempre será admitir isso. É preciso haver maturidade para engolir o orgulho e ver além, ver além dos seus olhos, ver com os olhos de outra pessoa, ver com os olhos de um estranho na rua.
        Aprendi que não posso escrever minha vida como em um filme, não posso cortar as cenas que errei a fala e que passei um mico daqueles, não posso dizer: "do começo pessoal", provavelmente, se você diz isso nas ruas, as pessoas vão achar que você é louca. Junto com isso, aprendi também a não planejar amores. Porque amor não se planeja, não se arruma em uma rua qualquer, você apenas senta para descaçar o pés e quando levanta alguém está ali bem na sua frente.
         Aprendi também que isso não é necessariamente bom, esse amor, pode não ser o seu amor, pode ser só uma pessoa que apareceu do nada, mexeu um pouco, virou uma inspiração e foi embora, mas disso tudo, tirei textos. Aprendi que tudo bem se sentir fracassado uma ou outra vez, no fim, o melhor remédio é colocar música e provar todas as roupas do guarda-roupa, aprendi que não posso me sacrificar para manter todo mundo inteiro, isso me destrói.
         Há também outras coisas, como ser grossa de vez em quando, você não tem que ser sempre boazinha para as pessoas sempre pensarem o melhor de você, se algo te incomoda você pode falar bem sério e dar um basta. Ninguém é obrigado a aguentar nada, aliado a isso, aprendi que não importa o que eu faça, o quanto eu sorria, para algumas pessoas vou ser "mesca e mimada, enquanto para outras serei doce e amável, no fim, sou a mesma pessoa para todos, o que muda é os olhos que me enxergam e a imagem que desejam construir sobre mim em suas cabeças.
           Chorar? Sempre, dói a cabeça, mas esvazia. Chorar é libertador, mas mesmo assim não devo fazer isso sempre, ainda há pessoas lugares, situações mais importantes pelas quais deveria estar poupando essas gotinhas salgadas que saem dos meus olhos uma vez ou outra. Aprendi que sou egoísta, que todos são, mesmo que seja lá no fundo e bem escondido. sempre temos demais e queremos mais e mais, também tirei a parte boa disso, aprendi que precisamos ter a necessidade de querer mais se quisermos realmente quebrar nossa rotina e correr atrás dos nossos objetivos.
          Falar em objetivos, aprendi que ficar sentada reclamando que nada chega não muda nada, Deus - ou qualquer força superior que você acredite -não é empregado de ninguém, não é mordomo para te dar sucesso em uma taça de cristal. Quer alguma coisa? Levanta a bunda do sofá e vai buscar, aprendi acima de tudo deixar essa mania chata de reclamar de tudo, se algo não está bem, eu só coloco um filme boa e assisto, se algo me deixa triste eu só fico um tempo sozinha e analiso com calma todas as perspectivas e se estou com raiva só vou para o meu lugar, na minha. Ninguém é obrigado a aguentar meu mau humor.
           Se estou em algum lugar, tento ao menos, mesmo que seja o mínimo possível dar minha participação, embora, tenha que com vergonha admitir que já fiz birra em muitos lugares, fechei a cara e me isolei, mas amadurecimento trás isso a você, trás a lição de que as pessoas não são eternas, nem em vida e muito menos em situações, o cara com quem você está sentada aqui, pode ser um completo estranho daqui há uns meses ou anos, essa garota perto de você pode se mudar e nunca mais voltar, as coisas mudam e hoje eu já sinto saudades de ontem, e sei que nem hoje, nem amanhã, nem um ano será como ontem. É assim que as coisas vão passando, sem aviso, sem ordem de despejo.
          Sei que mesmo com todos os livros que já li, músicas que ouvi, preciso de várias outras experiências e ensinamentos, por isso deixo sempre três pontos aberto, sempre esperando uma coisa nova com que eu possa preencher. Ainda tenho que visitar a Europa, ainda tenho uma músicas para ouvir, uns livros para ler, meu inglês para praticar e o cara dos sonhos para encontrar, acima de tudo, ainda tenho que sair da minha zona de conforto, enquanto isso, guardo todas as minhas experiências em um potinho de vidro e de vez em quando em um blog.

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