Chegou a hora de deixar os corredores para trás.


Às vezes me pergunto como desapegar de algo que é tão meu e que não deveria me pertencer, é estranho falar sobre isso, mas sinto que devo, já que estou no último ano do ensino médio e todos parecem querer ir logo embora para longe, a verdade é que me peguei pensando se conseguiria sobreviver quando tudo isso acabasse, acho que sou a pessoa mais sentimental e medrosa do mundo, a ideia de futuro parece tão assustadora que tenho vontade de vagar pelos corredores da minha escola para sempre.
   Outras vezes acho que vai me proporcionar coisas ótimas, mas pensar que nunca mais verei as pessoas com quem passei mais de dez anos da minha vida, me aperta e me faz querer chorar em posição fetal. O inteligente, o engraçado, até as patricinhas. Os jogos nos quais eu sou sempre obrigada a assistir na aula de educação física tentando escapar de bolas perdidas, confesso que melhorei nisso depois de um tempo.
   A verdade é que passo tempo demais pensando no quanto isso me assusta, penso muito em quanto despedidas podem ser terríveis e o quanto as pessoas podem mudar em pouco tempo, provavelmente depois da escola, eu veja cinco ou menos deles, mais provável ainda que alguns não se reconheçam mais, estamos propensos a cair no esquecimento, mesmo que digamos que isso é inevitável. A escola não pode voltar e as pessoas sabem disso e algumas delas ficam bem com isso. “Está bem, isso não vai doer”.
   Pois eu digo, elas passam tanto tempo pensando nisso quanto eu e você passamos, vivemos com medo de fracassar e isso nos torna fracassado, pois deveríamos está vivendo, não deveríamos ficar pensando se vamos ou não superar, nós sabemos que as coisas mudam e não há nada o que possamos fazer, é só isso que temos para hoje, uma aula da saudade, uma ultima inspiração no corredor que agora fica vazio, uma ultima risada, um chapéu de formatura e um adeus.

   Será que as coisas sempre terminam assim, por que não pode acabar como no meu livro favorito? Eu aceitarei isso também e se você está aqui ainda, dance, sorria, chore e beije, seja presente e quando chegar a hora do adeus, nada vai ser tão doloroso. Eu acredito que seja assim que as coisas que funciona.

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